O ato de se maquiar traz força e segurança para as mulheres. Quando ela escolhe a cor que vai usar, demonstra seu estilo, sua personalidade e até a forma como deseja se expressar naquele dia. No entanto, esse não é um costume contemporâneo. Ele está presente na sociedade desde as civilizações antigas, que já usavam tintas feitas de frutos para se diferenciarem ou mesmo como forma de se preparar para os rituais sagrados de adoração aos deuses.

 

É do Egito antigo que vem a forma dos batons que mais se assemelha as que temos hoje. Usado pelos mais altos membros das dinastias egípcias, eles eram feitos de ingredientes muitas vezes venenosos. Em busca de composições mais seguras, eles descobriram o pigmento carmim, extraído de um inseto. A técnica é usada até hoje.

 

 

Elizabeth I, a rainha do batom vermelho

A produção de batons tornou-se mais segura e difundida a partir do século 16. Na Inglaterra, a rainha Elizabeth I deu visibilidade ao usá-lo frequentemente. Com sua pele pálida e batom vibrante vermelho, cor que ela conseguia através de uma mistura de cera de abelhas e plantas, a monarca inglesa era constantemente reproduzida em pinturas com os lábios destacados.

 

Anos depois, a mesma Inglaterra que difundiu o uso do batom vermelho acabou por torná-lo marginalizado. No século 18, as bocas em tons vibrantes, como o vermelho, não eram mais bem-vistas. Existiu até mesmo uma lei que proibia o uso de qualquer tipo de maquiagem antes do casamento. A união poderia até ser anulada caso o marido descobrisse que a mulher havia pintado o rosto sem ele saber. Enquanto os padrões estéticos ingleses restringiam a relação feminina com sua própria beleza, na França a realidade era outra. As mulheres das altas classes sociais eram encorajadas a usar maquiagem já que o "look natural" era reservado à classe trabalhadora.

 

No século 19, mesmo sendo considerado "falta de educação", o batom estava nos lábios de muitas atrizes francesas de sucesso, como no caso da cantora Sarah Bernhardt. Quebrando todas as regras, elas até o aplicava em público. Um verdadeiro choque para a época.

 

 

Batom vermelho: um símbolo de atitude

Segundo a escritora e historiadora inglesa Madeleine Marsh, autora do livro "Compacts and Cosmetics" ("Compactos e Cosméticos", em tradução livre), a primeira e mais famosa manifestação de uso dos batons vermelhos aconteceu no início do século 20 com as mulheres do movimento Sufragista.

 

Elas lutavam pelo direito de votar indo às ruas exibindo o tom nos lábios. Desde então, o batom vermelho ganhou o status de símbolo do poder feminino. Também no início do século 20, criado pelo americano Maurice Levy, o item foi embalado em tubos de metais, esses que usamos até hoje. Para você ter uma ideia, ele era acomodado em papel de seda, o que impedia que fosse levado para todos os lugares.

 

A estrela do cinema mudo Clara Bow também ajudou que a cor ficasse ainda mais em evidência. Os lábios da atriz eram cuidadosamente pintados em um formato que ficou conhecido como "arco do cupido" com batom escuro. O objetivo era que eles parecessem vermelhos nos filmes em preto e branco. Intensificando ainda mais a ligação da cor com a força feminina, com a chegada da Segunda Guerra Mundial, no fim dos anos 30, os batons lançados na cor vermelha vinham com nomes que remetiam à tensão mundial da época. Eram destaques o "vermelho luta" e o "vermelho patriota".

 

 

As divas e seus batons

Mesmo com os tempos difíceis de escassez e recessão que viriam logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, as mulheres não abandonaram seus batons. De acordo com registros da época, no fim dos anos 1940, mais de 90% das mulheres americanas eram adeptas do cosmético. Com a ascensão das grandes divas hollywoodianas, como Ava Gardner, Rita Hayworth, Bette Davis, Lauren Bacall, Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe, no fim dos anos 50 esse número subiu a 98%. Mesmo com a chegada de novas cores, o batom sempre esteve presente no nécessaire das mulheres nas décadas seguintes. Nos anos 80, por exemplo, um tom vibrante marcou o look escolhido pela rainha do pop, Madonna, em sua turnê do álbum "Like a Virgin".

 

Com a chegada do século 21, o batom vermelho voltou a ser o centro de atenção de muitas produções, firmando-se não apenas como símbolo de sensualidade, mas também como de poder e autoafirmação feminina. A ampla gama de vermelhos faz parte do dia a dia das mulheres em todo o mundo. Você adora o tom? Então, confira nosso passo a passo e aprenda a usá-lo.